07/12/11

Mídia Terrorista - O PT e a imprensa ou a imprensa e o PT?

Opinião reproduzida na capa de jornal semana de Valinhos levanta debate acerca da confusão entre censura e marco regulatório das comunicações. 
O tablóide Notícias, que circula em Valinhos nas sextas-feiras, reproduz em sua primeira página a opinião da jornalista Dora Kramer, do jornal O Estado de São Paulo, sobre as propostas do Partido dos Trabalhadores para as comunicações no Brasil.

Bem ao estilo da Revista Veja, cartilha dos conservadores, o semanário valinhense ilustra a matéria com um dragão azul, referindo-se ao monstro da censura.

A liberdade de imprensa sempre foi , e continua sendo, uma das principais bandeiras de lutas do partido de Lula e Dilma, tanto que o ex-presidente disse que ele próprio é um resultado da liberdade de imprensa, enquanto a presidenta afirmou na sua campanha e repetiu no discurso de posse, preferir o barulho da imprensa livre, ainda que através de mentiras e calúnias, ao silêncio das ditaduras.

Dirigentes do PT afirmam e reafirmam que não têm nada de censura, tampouco regulação de conteúdo, as propostas do partido para o novo marco regulatório das comunicações, dispositivo, por sinal, presente em todas as grandes democracias do planeta.

Mesmo assim, arredios a qualquer iniciativa de debate sobre o tema, os veículos poderosos da grande mídia, através de seus bem remunerados colunistas, seguem a bater na mesma tecla: censura, censura, censura.

A vedação da censura já é um princípio constitucional e o próximo passo a ser dado é o da democratização das comunicações através da regulamentação de artigos já existentes na Constituição Federal.

Não são democráticas as comunicações de uma grande nação como o Brasil, pois elas estão nas mãos de algumas poucas famílias, donas de revistas, jornais, rádios, televisões e portais da internet, em prejuízo da diversidade cultural e de opinião.

Levantamento recente demonstra que 25% dos senadores e 10% dos deputados federais são proprietários de canais de rádio ou televisão.

Professor espera 13 anos para obter reparação da Folha

Não há uma lei que regulamente o direito de resposta, por exemplo, para evitar a injustiça da qual foi vítima o professor de educação física, Nelson Luiz Conegudes de Souza, acusado em 1998, pela Folha de São Paulo, de ser “o principal mentor de uma liga pirata, com o objetivo de fisgar clubes para levar vantagem financeira."

O professor foi demitido da Associação Atlética Banco do Brasil, estigmatizado no seu meio profissional como “picareta”, além de sofrer chacotas de colegas, evitado pelos amigos e até mesmo proibido de entrar na sede do clube ao qual havia prestado serviços durante vários anos.

Em 20 de outubro de 2011, após longos 13 anos de tramitação de processo judicial o professor ganhou direito de resposta no jornal paulista. Repito, 13 anos.

O alvo de sempre: o PT

Desafiamos o jornal Notícias a apontar um único governante petista que tenha exercido qualquer ato de censura à imprensa.

Ao passo que exemplos de calúnias e manipulações na grande mídia temos aos montes, dos quais citamos alguns: PT seqüestra Abílio Diniz; manipulação pela Globo do debate entre Collor e Lula na eleição de 1989; ficha falsa de Dilma Rousseff no DOPS publicada pela Folha; invasão do apartamento de José Dirceu feita pela revista Veja.

O PT quer sim imprensa livre e fortalecida com a democratização das comunicações.
Da web

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- Dinastias Midiáticas -

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

Por Emir Sader